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    A velha dor de cabeça

    março 4th, 2010

    Quero começar agradecendo Giuliano pela boa atuação na vitória de ontem. Nós, que sempre defendemos o futebol do garoto, ficamos felizes de vê-lo jogando bem. É bom, vez ou outra, ver que estávamos certos. Na verdade, não acho que ele tenha estado em má fase em momento algum, estava, apenas, jogando sozinho. Usando velho jargão do futebol, Giuliano é um jogador agudo. Mesmo que uns e outros discutam sobre o fato de ele não ser meia de criação, é inegável a qualidade dele para driblar, passar e finalizar de média distância. E é admirável sua objetividade, partindo para cima dos adversários, buscando uma finalização para a jogada, e, por isso, sim, digo: agudo.

    Sou da ala que acredita que Giuliano é sim, meia de criação. Que pode sim ser o quarto homem do meio de campo. Assim como creio que possa ser o segundo ou o terceiro também. Não primeiro voltante e nem segundo atacante, né, Tite?! Por sorte, Fossati já percebeu a qualidade do jogador e onde ele pode jogar.

    Agora com D’alessandro voltando de lesão e ainda contando com Andrezinho, Edu e outros garotos para a função, voltamos à velha dor de cabeça. A escalação dos meias, posição onde estão nossos melhores jogares, depende diretamente do esquema, com um ou dois articuladores.

    O 3-5-2: Com três zagueiros, os laterais (agora alas) têm liberdade para ir ao ataque, o que tem sido muito útil recentemente no Inter. Principalmente pelo fato de nossos lareais terem tendências ofensivas. Neste esquema, jogamos com dois volantes e apenas um articulador, o que, seguidamente, sobrecarrega o responsável por esta última função do meio de campo. E isso é um dos problemas deste esquema. Outro grande problema é que, por D’alessandro ser titular incontestável de Fossati, Giuliano - na minha opinião, nosso melhor jogador da temporada 2009 - acaba saindo do time. E isso sim, é um problema.

    O 4-4-2: Considerado por muitos um esquema mais equilibrado que o 3-5-2, é, também, a minha preferência. Porém - e sempre há um porém - não é fácil de implementá-lo num grupo onde os volantes gostam de atacar e os laterais só sabem atacar. Isto porque Kleber e Nei não têm características defensivas e já sabemos o que acontece se prendermos, por exemplo, Kleber na defesa. Perdemos poder ofensivo e defensivo, o que não me parece um grande negócio. É claro que é possível dar liberdade aos laterais mesmo no 4-4-2, desde que não se deixe que os dois volantes subam muito. Mas com Sandro querendo ir pra Seleção e com o Guiñazu sendo o Guiñazu, não é tafera fácil para o treinador. Mas enfim, controlar isso é o trabalho de Fossati. Conseguindo isso, creio que teríamos um time muito melhor do que o apenas competitivo Inter de hoje.

    A mídia gosta de chamar o excesso de jogadores para uma função de “dor de cabeça das boas”, mas tanto no sentido literal quanto na metáfora, dor de cabeça boa não existe. A pressão que existe sobre o técnico não permite que a situação seja confortável. Só resta esperar que Fossati chegue logo ao esquema ideal e faça o time funcionar também fora dos pampas. E que, claro, controle os ânimos de quem quer que fique fora do time. E, por favor, deixe o Giuliano jogar.


    por Lucas Backes

    Cala-te!

    março 1st, 2010

    Fiz festa! O Inter anunciara a volta de um ídolo. Era Julho - quase Agosto - de 2008.

    (…)

    Era agora final de 2008. Fiz festa! O Inter anunciara que Daniel Carvalho ia embora novamente.

    ***

    Deprimente. Assim resumo o que foi, aos meus olhos, a última estada de Daniel Carvalho no Inter. Visivelmente acima do peso, o atleta (atleta?) fez alguns poucos lances de efeito, bateu algumas faltas, mas não rendeu nem perto do esperado. Foram meses de treino e os vários quilos a mais continuavam lá. Daniel Carvalho não é Ronaldo. Acima do peso, o jogador não tinha arrancada, não conseguia partir pra cima dos zagueiros, acabou tornando-se um peso para o time. E dos pesados. Seu peso não era somente pelo futebol de baixo nível apresentado, mas sua insatisfação com as muitas vezes que ficou na reserva prejudicava o ambiente.

    Agora tu vens nos dizer que voltou ao Inter por amor? Muito poético! Vindo de alguém que não fez esforço pra emagrecer, teve muitas más apresentações e reclamou quando foi deixado de lado. Só queríamos que tu te esforçasse mais. Por respeito que fosse! Mas nada feito. Essa não é, Daniel, a descrição que conhecemos de amor, e, sim, de casamento.

    Palavras tuas: “Aprendi nesta passagem pelo Inter que é complicado só jogar por amor. Foi o que eu fiz. Comparando com tudo o que eu tinha na Rússia, eu vim por amor. Abri mão de 80% do meu salário. Recebia só 20% aqui no Inter. Abri mão de tudo. Tinha propostas dentro do Brasil muito melhores que a do Inter, mas vim por amor. Isto me ensinou que hoje, por amor, é complicado. Temos de pensar bem no lado profissional. Hoje, se eu tiver de voltar para o Brasil, o Inter será um clube como qualquer outro.”

    Numa coisa concordo, entretanto, contigo, Daniel: tens, mesmo, de pensar no lado profissional. E isso inclui dedicação. Treinar, manter-se em forma, estar na sua melhor forma para dar seu melhor. Isso, sim, é ser profissional.

    Não viestes por amor. Viestes pela vitrine que é o Inter, um dos maiores clubes do Brasil, o de melhor estrutura, o que disputa qualquer competição buscando o título. Títulos, aliás, que, há de se lembrar, temos todos! Viestes para se recuperar, aparecer, achando que seria Rei. Também achávamos que seria, Daniel. Mas o que demostraste? Nem sequer uma demostração de majestade.

    Por isso te peço para seguir com tua carreira, ficar em forma. Tens grande potencial e sabes disso. Atenha-se a jogar futebol apenas. Deixe as palavras para quem sabe usá-las, seus assessores talvez. E, até repensares o que fez, o que disse e reconhecer teus erros, faça-nos o favor: cala-te.


    por Lucas Backes

    Venda de Danilo Silva repete Nilmar

    fevereiro 26th, 2010

    por Douglas Backes

    Este episódio da negociação de Danilo Silva remete, guardadas as devidas proporções, ao caso Nilmar, no ano passado. Isso por dois motivos: primeiro, porque os contratos de ambos os jogadores continham peculiar similaridade, qual seja uma cláusula prevendo que, em caso de proposta pelo atleta, o Inter ficaria obrigado a “cobri-la”, por assim dizer. Em outras palavras: diante de uma oferta, o clube teria de concordar com a venda ou abrir o cofre para adquirir mais um percentual dos direitos sobre o jogador. No caso Nilmar, o Inter chegou a exercer essa opção, gastando para manter seu craque, mas não resistiu a uma investida posterior do Villarreal FC. Agora, com Danilo, que não é tão craque assim, a venda foi imediata.

    A outra coincidência entre os dois casos é, justamente, o aparente descritério da diretoria em relação a seus objetivos. No ano passado, dizia-se que o Inter focava a conquista do Brasileirão para coroar o centenário com um título esperado há longas três décadas. Na metade da competição, porém, o Colorado decidiu vender a taça, ao aceitar a negociação de Nilmar com a disputa em andamento. Falaram em reposição, mas até agora não se viu outro Nilmar no Beira-Rio. Agora, em 2010, o Inter já entregou de mão-beijada o primeiro turno do Gauchão, apostando todas as fichas na Libertadores da América, porém o foco novamente parece perdido, com a precoce venda de Danilo Silva - no momento, o melhor zagueiro do plantel. Reposição? Fernando Carvalho diz que o clube apostará no jovem Ronaldo, chegado do Atlético-PR.

    Tudo bem, tais apostas são válidas e, não tão raro, surpreendentemente positivas - como no próprio caso de Danilo Silva. Mas dá para encarar a Libertadores, com séria pretensão de título, segundo se propala, com apostas? Danilo, finalmente em sua posição (curiosamente, pelo lado esquerdo da zaga), estava agora afirmado, cobrindo até mesmo os erros de seus companheiros Sorondo e Bolívar (ambos com algumas sérias deficiências).

    Lesionado, Índio ainda pode demorar para recuperar a velha forma (e de qualquer maneira já entrou no ciclo descendente da carreira), enquanto Fabiano Eller é outro que não exibe a mesma efetividade de 2006. Danny foi emprestado, pois também vinha repetindo más atuações, sem confirmar os predicados que a ele se creditavam. Resulta que o Inter terá sérios problemas no miolo da zaga, a menos que a aposta Ronaldo tome conta do espaço e tenha boa companhia (talvez Índio). O Inter não vai mesmo contratar? Deixar-se-á iludir pelos resultados de campo dos seus titulares no Gauchão e na primeira fase da Libertadores? E quando pegar um time realmente forte pela frente, quem vai segurar a pressão?

    Ao vender Danilo Silva em seu momento de afirmação, o Inter repetiu o caso Nilmar, declarando publicamente que não está tão focado no título. Os euros continuam falando mais alto que as aspirações coloradas, para desengano da fiel torcida.


    por Lucas Backes

    Twitter

    fevereiro 24th, 2010

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    por Lucas Backes

    Lucramos!

    fevereiro 24th, 2010

    Entra ano, sai ano, entra técnico, sai técnico, entra em beco, sai em beco, há uma Santa com seu nome, e nós continuamos tendo de reclamar da escalação colorada.

    Giuliano esteve absolutamente sobrecarregado na noite de ontem. (Noite histórica, sim, vencemos na estreia da Libertadores! Não creio, não importo e não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe o sentido dos tabus, mas os sites de notícia falam tanto nisso que começo a pensar que as pessoas se interessam, então: quebramos o tabu!). O jovem articulador colorado não teve espaço para jogar. Tampouco teve apoio, ao menos qualificado, dos alas. Me lembrou logo quando ele começou a jogar por aqui. Sem sequência de jogos e isolado no meio de campo, chegou a ser fortemente criticado pela torcida e pela mídia, que hoje exalta sua qualidade com um tom descarado de “eu já sabia”. Tenho medo que crucifiquem o jogador por suas atuações recentes não mais do que medianas e se esqueçam que, sozinho, não há muito o que ele possa fazer realmente. Não tenho o hábito, mas tenho de fazer coro com a mídia esportiva desta vez: Três zagueiros e um articulador, Fossati? Em casa? Sério?

    Não vou fazer uma resenha do jogo aqui, quase todos assistiram, os que não viram, já devem ter lido e escutado muito sobre como foi o jogo. Resumo: lucramos!

    Foi um jogo de técnica muito baixa, com um time colorado absolutamente desorganizado. Ganhamos da mesma forma que recentemente perdemos para o novo Hamburgo, com um gol achado. Um belo gol achado, aliás, pelo ala direito Nei. Ala esse de atuação pífia até aquele momento. Aliás, onde estava Nei no gol do Emelec? Havia um buraco no setor direito defensivo. E ele não melhorou muito depois, é bem verdade. Mas compensou, por assim dizer, com um belo gol.

    A entrada de Walter deu mais movimentação ao time, numa noite nada inspirada de Edu. Andrezinho foi decisivo mais uma vez, dando ótimo passe para o garoto, que, por sua vez, teve ótima movimentação e frieza na hora de deixar Alecsandro com o gol aberto no finalzinho do jogo. Acontecia ali uma das primeiras jogadas organizadas do Inter na partida. Eram 42 minutos do segundo tempo.

    De toda forma, somamos importantes três pontos na competição. É sempre bom lembrar que na edição 2010 da Libertadores, apenas o 1º colocado do grupo está garantido na primeira fase (dos oito grupos, classificam-se os primeiros colocados e os seis melhores segundo colocados). Um “Viva” a esta bela bagunça chamada Conmebol.


    por Lucas Backes

    Experiência basta?

    fevereiro 23rd, 2010

    O Inter de 2009 teve alguns poucos destaques positivos durante o segundo semestre. Destaco, aqui, dois: Giuliano e Marquinhos.

    Giuliano briga para manter a posição de titular do Inter. Não conseguiu ainda uma sequência de jogos em 2010, mesmo sendo o principal jogador colorado na temporada passada. Jogador que, quando foi para a seleção sub-20, deixou o clube em situação desesperadora. A equipe não conseguia  mais vencer durante sua ausência. Felizmente, parece-me que Fossati esteve testando outros jogadores agora em começo de temporada, e não simplesmente tirando o garoto do time.  Espero, realmente, vê-lo em campo hoje. Nada contra o Edu, pelo contrário, mas simplesmente tirar o Giuliano do time não teria explicação. Gostaria de ver os dois juntos inclusive, já que o Taison há algum tempo não apresenta um futebol que valha sua titularidade.

    Mas o que mais me surpreende é não ver Marquinhos na lista dos 25 jogadores inscritos na Libertadores. Logo ele, que mostrou um ótimo futebol temporada passada. Acredito, sim, que experiência seja muito importante para um time de futebol, ainda mais em uma Libertadores. Arriscaria dizer que é fundamental. Mas isso não pode significar abdicar de uma geração tão promissora de jogadores. Me perdoem os defensores do recém contratado, mas Kleber Pereira está entre os 25 e Marquinhos não?! Já me parece uma supervalorização da experiência.

    Sei que é arriscado fazer uma avaliação dessas, ainda mais em se tratando de um jogador que fez muitos gols pelo Santos e que deve entrar no decorrer dos jogos do Inter. Mas, enfim, tomara que ele me cale.


    por Lucas Backes

    Estamos de volta!

    fevereiro 23rd, 2010

    Após incessantes pedidos e muita vontade nossa, o Interblog está de volta! A falta de tempo e alguns problemas técnicos nos mantiveram afastados do blog desde o dia 23 de Setembro do ano passado, mas aqui estamos, ressurgindo das cinzas. O site ainda está um pouco desatualizado, mas com calma chegaremos ao ponto que queremos. Agradeço desde já a compreensão, peço desculpas por ter me distanciado dessa maneira abrupta e prometo compensar com informação, debates, opiniões sobre tudo de relevante que acontece com o nosso Inter.

    Um espaço específico para discussões está sendo modelado e deve estar no ar em breve, o que vai manter a equipe Interblog ainda mais perto dos leitores, facilitando a comunicação e a contribuição de todos.

    A ideia agora é constituir o blog de posts menores, mais objetivos e com maior frequência. Desta forma, acreditamos que a leitura ficará menos cansativa e o blog mais atualizado.

    Contamos com a participação de vocês!

    Até.


    por Lucas Backes

    ——- Posts antigos (2009) ——

    setembro 23rd, 2009

     

    Hoje o Inter começa a ser campeão brasileiro

    por Douglas Backes

    Após duas derrotas consecutivas – uma delas em casa –, a confiança de alguns colorados em seu time pode ter ficada abalada, mas não há razão prática ou matemática para isso. É compreensível, dado que se trata de emoções, nem sempre atreladas à razão. Mas também é plenamente justificável a esperança de quem segue apostando no quarto título nacional, após três décadas de espera.

    Até o clássico Gre-Nal, o Inter terá um caminho nem tão espinhoso: uma vitória dentro do Beira-Rio frente ao embalado Flamengo é tudo de que precisamos para retomar a senda de vitórias. Será necessário suar e jogar bem mais do que o visto nas duas últimas exibições, mas isso é plausível! Basta lembrar de outros jogos, também recentes, em que o Inter mostrou suas virtudes e atropelou adversários.

    Se paira dúvida quanto à defesa, que vem sofrendo muitos gols, parece estar de volta o 3-5-2, em teste hoje contra o Universidad de Chile. Talvez, assim, Kléber fique novamente solto para ajudar o ataque pela esquerda, enquanto os zagueiros, em número de três, darão conta do recado lá atrás, protegidos ainda por volantes. Chegando pelas laterais, notadamente pela esquerda, é provável que também se consiga tirar proveito do faro de gol dos atacantes, que nas últimas partidas morreram à míngua, praticamente sem receber a bola em condições de marcar. Principalmente agora, que Edu está pronto para 90 minutos.

    Se o Inter fizer valer suas qualidades no jogo de hoje, repetindo boas atuações que já teve no 3-5-2 recentemente, o esquema deve se consolidar como a resposta para os problemas do time nesta reta final de 2009. Virão adversários de menor expressão (do calibre de Atlético-PR, Coritiba – talvez o mais complicado, em confronto no Couto Pereira –, Náutico e um provavelmente rebaixado Fluminense). Será a sequência ideal para assumir a ponta, afinal. Começando hoje – e vencendo o Flamengo no Gigante, o título do Brasileirão estará a caminho.


    por Lucas Backes

    O grupo colorado

    setembro 4th, 2009

    Giuliano, indo para a seleção sub-20, ficará afastado do Inter por, aproximadamente, um mês e meio. O jovem meia vive seu melhor momento no time desde que desembarcou em Porto Alegre. Será uma perda significativa para o nosso time, principalmente porque não sabemos como D’alessandro jogará daqui em diante. Não seria novidade se o gringo, após um grande jogo, desencadeasse uma sequência de atuações ruins. Já fez isso antes. Andrezinho se recupera de lesão e deve voltar em breve, mas apesar do esforço do mesmo, sabemos das limitações do jogador.

    E é aí que Edu pode entrar definitivamente no time titular. O jogador já mostrou que sabe fazer gols, o que é importante para o meia mais avançado. Já mostrou, em poucos lances, é verdade, mas sua condição física talvez não permitisse muito mais, que sabe driblar e gosta de partir pra cima dos adversários com a bola no pé. Para mim, isso é fundamental. É o que acho que faltou ao D’ale na maior parte das partidas que fez aqui até hoje. Não sei se ele cansa rápido ou se simplesmente não sabe como correr, mas falta a ele pegar a bola e andar com ela, não só dar um drible curto e passar. É claro que sua facilidade para driblar e suas ótimas assistências são muito importantes, mas, enfrentando uma marcação forte, é importante ter alguém que consiga conduzir a bola. Coisa que o Giuliano faz hoje e que Edu pode vir a fazer mais adiante.

    Se D’ale realmente evoluiu fisicamente - e, espero, mentalmente - nesse tempo afastado, poderia formar uma boa dupla no meio com Edu. Dessa forma voltaríamos ao 4-4-2. Sou bem a favor do teste com essa formação com esses jogadores. Mas por favor, Tite, se o fizer, deixe Kleber atacar! De nada adianta usarmos dois meias de criação e finalização se não tivermos apoio nas laterais. Creio, entretanto, que após as últimas atuações, Kleber não tornará a ser preso na defesa pelo treinador. E, dessa forma, sou adepto do 4-4-2.

    Mas (peço perdão por dizer o óbvio) já foi provado:  o 3-5-2 também pode funcionar. Só lamento não termos ala pela direita para que possamos exigir atenção da marcação nos dois lados. Danilo Silva é muito rápido, e um ala rápido pode ser bastante útil, de uma forma diferente de um ala técnico, como o Kleber. Mas falta a Danilo recursos para driblar e, principalmente, para cruzar. Talvez com muito treino nesse fundamento, poderá se tornar um ala aceitável. Ou até mesmo bom, quem sabe? Aí eu me perguntou: e Arílton? Com pouquíssimas chances no time, o ala praticamente não conseguiu mostrar nada. Tite afirmou, há algum tempo, que se tratava de um jogador muito ofensivo, e diziam, os que assistiam os treinos, que era um jogador técnico. Não seria o 3-5-2 o esquema adequado para dar mais algumas chances ao garoto? Ou será que ele realmente não está pronto? É preciso lembrar que até pouco tempo muitos achavam que Giuliano também não estava.

    Fato é que nosso grupo é bastante qualificado sim, claro que não tanto quanto a imprensa do centro do país dizia no começo do ano, mas é um bom grupo, quase completo. Carência mesmo só na direita. A zaga não anda tão bem, mas está ainda bem na média do campeonato brasileiro. Agora resta saber como essas peças serão encaixadas daqui pra diante.


    por Lucas Backes

    Pós jogo - Inter x Atlético-MG

    setembro 3rd, 2009

    O primeiro tempo do jogo de ontem foi bastante complicado, é verdade. Enfrentamos uma retranca impressionantemente bem organizada pelo técnico Celso Roth. As melhores chances de gol do primeiro tempo foram do time mineiro, com Rentería e Diego Tardelli. A chance perdida por Tardelli começou com um grave erro de Fabiano Eller, que não se encontrou no primeiro tempo, cometendo vários erros. Já a chance de Rentería surgiu num contra-ataque, aproveitando a lentidão da dupla Bolívar - Sorondo. O Inter não criava boas jogadas, o time todo estava bem marcado. Giuliano só recebia bola de costas para a forte marcação e nada podia fazer. Os avanços de Kleber e Fabiano Eller era bem contidos, e os avanços pela direita, bem, esses simplesmente não aconteciam. Roth armou bem o esquema de marcação sabendo que o Inter jogaria somente pelo meio e pela esquerda.

    Só que o atlético-MG correu demais no primeiro tempo. Não seria possível manter o mesmo ritmo no segundo tempo. Ainda mais com a entrada de D’alessandro. O argentino estava em uma noite inspirada, com muita vontade de jogar, como poucas vezes o vimos por aqui. Entrou no jogo no lugar de Danilo Silva disposto a decidir a partida. E foi o que ele fez. Com bons dribles e passes precisos, El Cabezón liderou o Inter no massacre. Foi um massacre o segundo tempo do jogo de ontem.

    Num ótimo passe de D’ale em profundidade, Kleber lançou uma boa bola na área. E aí surgiu o outro protagonista da noite, Edu. O atacante se adiantou à marcação e fez um belo gol de cabeça. E, depois, mais um. Exímio cabeceador, como já havia anunciado Rafael Sóbis, em entrevista sobre o ex-colega de Bétis, Edu aproveitou as duas chances de cabeça que teve.

    ***

    O esquema 3-5-2 colorado foi ineficiente enquanto durou o primeiro tempo de jogo. Bem marcado e sem saída pela direita, o Inter não jogou. No segundo tempo, com o advento da entrada de D’ale no lugar de Danilo, viu-se o Inter num esquema difícil de definir. Um misto de 3-5-2 com 4-4-2.

    O Inter atacava pela esquerda como num 3-5-2, Kleber fazia a ala, era ofensivo. D’ale apoiava mais pelo meio. Giuliano caía mais pela direita como opção e ficava alerta para dar a primeira marcação no setor em caso de contra-ataque atleticano. Defensivamente, Kleber voltava e fechava a famosa “linha de quatro” com Fabiano Eller, Sorondo e Bolívar, rearmando o time num 4-4-2. Deixando nome de esquema de lado, a tática funcionou. Foi um ótimo trabalho tático tático do técnico Tite. Assim como reclamei do treinador com frequência, hoje exalto seu bom trabalho na partida de ontem.

    E que venha o Avaí.


    por Lucas Backes