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    Vitória do Trabalho

    Para além da conhecida qualidade técnica, para além da propalada química com o torcedor no Beira-Rio, o Inter despachou o Flamengo nessa quarta-feira à noite graças ao trabalho. Foi a dedicação de seus jogadores e comissão técnica nos treinamentos que levou ao entrosamento visto em campo; ao espírito vencedor, que propiciou ao Colorado manter a calma depois de levar o gol de empate; e, principalmente, ao gol que nos classificou.

    Andrezinho foi resumo deste Inter trabalhador: quantas repetições a cada treino são necessárias para formar um batedor de faltas com tamanha habilidade e confiança? Ninguém faz um gol como aquele, numa situação daquelas, com tamanha importância em nível de campeonato, sem primeiro treinar exaustivamente. Andrezinho entrou só no final, quando – aparentemente – pouco ainda poderia ser feito por um jogador de corpo frio… mas “decidiu o jogo; só isso”, como fez questão de ressaltar D’Alessandro, falando à imprensa após a partida.

    Foi, seguramente, a vitória do trabalho, num confronto de iguais. Inter e Flamengo mostraram ótimos elencos, entrosamento e estratégia. Mas a “sorte” esteve ao lado do Inter no primeiro tempo – a “sorte” que só acompanha quem trabalha duro. E o time soube se impor na segunda metade da partida, mantendo o sangue frio após sofrer o gol que lhe poderia roubar a presença nas semifinais, diante do Coritiba.

    Há que se exaltar essa vitória, que tem um pouco de tudo que é bom, mas sobretudo uma dose cavalar – e decisiva – de trabalho. No entanto, também é preciso ficar atento a alguns vícios, a algumas deficiências que ainda aparecem nos jogos do Inter, apontado como favorito em todas as competições neste ano. Há problema nas duas laterais, há erros de passe inacreditáveis no meio de campo (muitas vezes, obra de craques como D’Alessandro – que para piorar as coisas, frequentemente desiste da jogada após perder a bola, encarando o árbitro como se isso pudesse ajudar). Outro problema visto novamente ontem foi a (ainda) imaturidade de Taison.

    Sim, isso mesmo. Está certo que ele vem crescendo muito nesse aspecto (tanto é que foi peça fundamental nas duas últimas vitórias), mas essa jovem revelação – que provavelmente se tornará, sim, um grande jogador – ainda carece de percepção mais apurada em certos momentos. É evidente que isso só vem com o tempo, com a experiência, mas também acontece através de orientação.

    O Inter tem vários jogadores experientes, além de uma comissão técnica qualificada e pelo menos um dirigente fora-de-série (precisa nominar?). Eles devem continuar encostando no guri para lhe ajudar a crescer. Tem hora que o certo é ser “fominha” e tentar definir a jogada. Tem hora que o melhor é enxergar os colegas livres nas pontas e soltar a bola para alguém. O que não se pode é confundir essas duas situações, trocando uma pela outra. Por pouco, não nos faltou um gol para a classificação. E então estaríamos discutindo com muito mais atenção os defeitos do time. Eles são poucos, solucionáveis e não têm impactado significativamente os resultados. Mas a melhoria contínua é mandatória em se tratando do maior clube do Brasil.

    Por Douglas Backes
    para InterBlog.com.br

    One Response to “Vitória do Trabalho”

    1. Ricardo Fixman disse:

      Ótima análise! Na minha opinião, o Andrezinho deveria entrar com 15/20 minutos do segundo tempo. O D’Alessandro tava marcado, não conseguindo sair p/ jogo. E o pior que estava irritado, tentando cavar faltas. Acho também que o Tite deveria definir se o Kleber ataca ou não . Com o Bolivar ou D. Silva ficando mais na marcação o Kleber deveria ir ajudar o D’Alessandro na armação , aliás, como ele fez logo após o gol do Fla. Acho que jogando mais no meio campo na armação libera o D’Alessandro.Abração e que venha o Coritiba!

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