O insustentável esquema sem organização
Às 19h30min de hoje, o Inter vai a campo, diante de sua (nossa) imensa e fiel torcida, lutar por uma vaga na fase eliminatória da Libertadores. Isso todo mundo já sabe. A questão é: que futebol apresentaremos hoje?
Nos recentes jogos, o time colorado tem demonstrado, de bom, esforço. Só. Difícil é dizer se a culpa é realmente do técnico. Não estou defendendo ele, ainda não me provou nada, mas vemos claramente alguns jogadores que já não têm mais o mesmo vigor ou qualidade que tinham antigamente.
A defesa
Nossos laterais não marcam. Não porque não querem ou simples irresponsabilidade tática. Não, eles não sabem marcar. Quando montado no 4-4-2, o Inter fica vulnerável pois restam dois zagueiros lentos e não muito confiáveis. A quais zagueiros me refiro? Tanto faz. Todos. Neste esquema, Sandro tem mais liberdade para ir ao ataque, enquanto os dois laterais ficam atrás. Bem aí mora o perigo. Sandro é 45% da capacidade de marcação colorada. Guiñazu é outros 45%. Os outros 10% se dividem entre os demais jogadores.
Jogando no 3-5-2, liberamos os alas e ficamos com três buracos marcadores fixos. Suficiente? Em número, sim, se considerarmos o apoio dos volantes na marcação. Em qualidade? Hum, questionável.
O que eu vejo acontecer com o Inter é o seguinte:
Os laterais ficam presos no 4-4-2. Sem qualidade na marcação, sobrecarregam nossos já não muito confiáveis zagueiros. Sem liberdade para atacar, acabam mais atrapalhando do que qualquer outra coisa. Era assim em boa parte da era TrIsTE. Restam na criação dois meias de habilidade e dois volantes de vontade. Não que os volantes não tenham qualidade, eles têm muita, mas na marcação, não na criação. Sem apoio pelos lados, o Inter sucumbe à marcação, até mantém a posse de bola, mas não leva perigo. Não ao adversário, ao menos.
Os alas estão liberados no 3-5-2. Problema resolvido? Mesmo liberados pelo técnico, acabam bloqueados pelos marcadores do time oposto. Com isso, nossa armação fica com dois volantes e um meia. O meia é D’alessandro. Bastam algumas chegadas mais fortes, uma pequena série de faltas, para que o gringo fique com a cabeça quente e desconcentre-se do jogo. Aí vira bagunça. O time sente a falta de criação. Até aí tudo bem. É bom ver que o próprio time detecta os problemas. O problema é quando eles resolvem encontrar uma solução por conta própria. Nossos zagueiros resolvem sair jogando e Alecsandro volta para buscar jogo. Erramos saídas de jogo, rifamos bolas e ficamos abertos.
Vi, entretanto, em alguns momentos de alguns jogos, o Inter dar certo. Jogando no 3-5-2 inclusive. Quando um ala estava com a posse de bola, o outro fechava para o meio. Que é o báscio do 3-5-2. Mas mais do que isso, os volantes auxiliavam na armação, inclusive na linha de fundo. Tanto Guiñazu pela esquerda quanto Sandro pela direita. Claro que os dois subindo juntos é pergioso demais, mas um pode subir e acompanhar o seu ala quando este estiver com a posse da bola. Não são dribladores natos nem de muita qualidade na criação, mas precisam ser marcados e, com isso, o Inter popula o ataque, compacta e consegue algumas tabelas para, então, colocar a bola na área ou finalizar. Além disso, com essa ocupação do ataque, a marcação sobre nossos criadores diminui, abrindo espaços para que eles façam o que bem sabem.
Populando o ataque com organização, acredito que podemos chegar lá. Do meio pra frente nosso grupo é suficientemente qualificado para vencer qualquer campeonato que disputarmos. Falta organização. Concordo com Fossati quanto a dar nome à esquemas. Acho que isso não é o mais importante. Mas organização é. E isso nós ainda não vimos.
Hoje, 19h30min. Todos lá. Façamos, ao menos, a nossa parte.


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