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    A velha dor de cabeça

    março 4th, 2010

    Quero começar agradecendo Giuliano pela boa atuação na vitória de ontem. Nós, que sempre defendemos o futebol do garoto, ficamos felizes de vê-lo jogando bem. É bom, vez ou outra, ver que estávamos certos. Na verdade, não acho que ele tenha estado em má fase em momento algum, estava, apenas, jogando sozinho. Usando velho jargão do futebol, Giuliano é um jogador agudo. Mesmo que uns e outros discutam sobre o fato de ele não ser meia de criação, é inegável a qualidade dele para driblar, passar e finalizar de média distância. E é admirável sua objetividade, partindo para cima dos adversários, buscando uma finalização para a jogada, e, por isso, sim, digo: agudo.

    Sou da ala que acredita que Giuliano é sim, meia de criação. Que pode sim ser o quarto homem do meio de campo. Assim como creio que possa ser o segundo ou o terceiro também. Não primeiro voltante e nem segundo atacante, né, Tite?! Por sorte, Fossati já percebeu a qualidade do jogador e onde ele pode jogar.

    Agora com D’alessandro voltando de lesão e ainda contando com Andrezinho, Edu e outros garotos para a função, voltamos à velha dor de cabeça. A escalação dos meias, posição onde estão nossos melhores jogares, depende diretamente do esquema, com um ou dois articuladores.

    O 3-5-2: Com três zagueiros, os laterais (agora alas) têm liberdade para ir ao ataque, o que tem sido muito útil recentemente no Inter. Principalmente pelo fato de nossos lareais terem tendências ofensivas. Neste esquema, jogamos com dois volantes e apenas um articulador, o que, seguidamente, sobrecarrega o responsável por esta última função do meio de campo. E isso é um dos problemas deste esquema. Outro grande problema é que, por D’alessandro ser titular incontestável de Fossati, Giuliano - na minha opinião, nosso melhor jogador da temporada 2009 - acaba saindo do time. E isso sim, é um problema.

    O 4-4-2: Considerado por muitos um esquema mais equilibrado que o 3-5-2, é, também, a minha preferência. Porém - e sempre há um porém - não é fácil de implementá-lo num grupo onde os volantes gostam de atacar e os laterais só sabem atacar. Isto porque Kleber e Nei não têm características defensivas e já sabemos o que acontece se prendermos, por exemplo, Kleber na defesa. Perdemos poder ofensivo e defensivo, o que não me parece um grande negócio. É claro que é possível dar liberdade aos laterais mesmo no 4-4-2, desde que não se deixe que os dois volantes subam muito. Mas com Sandro querendo ir pra Seleção e com o Guiñazu sendo o Guiñazu, não é tafera fácil para o treinador. Mas enfim, controlar isso é o trabalho de Fossati. Conseguindo isso, creio que teríamos um time muito melhor do que o apenas competitivo Inter de hoje.

    A mídia gosta de chamar o excesso de jogadores para uma função de “dor de cabeça das boas”, mas tanto no sentido literal quanto na metáfora, dor de cabeça boa não existe. A pressão que existe sobre o técnico não permite que a situação seja confortável. Só resta esperar que Fossati chegue logo ao esquema ideal e faça o time funcionar também fora dos pampas. E que, claro, controle os ânimos de quem quer que fique fora do time. E, por favor, deixe o Giuliano jogar.


    por Lucas Backes

    Venda de Danilo Silva repete Nilmar

    fevereiro 26th, 2010

    por Douglas Backes

    Este episódio da negociação de Danilo Silva remete, guardadas as devidas proporções, ao caso Nilmar, no ano passado. Isso por dois motivos: primeiro, porque os contratos de ambos os jogadores continham peculiar similaridade, qual seja uma cláusula prevendo que, em caso de proposta pelo atleta, o Inter ficaria obrigado a “cobri-la”, por assim dizer. Em outras palavras: diante de uma oferta, o clube teria de concordar com a venda ou abrir o cofre para adquirir mais um percentual dos direitos sobre o jogador. No caso Nilmar, o Inter chegou a exercer essa opção, gastando para manter seu craque, mas não resistiu a uma investida posterior do Villarreal FC. Agora, com Danilo, que não é tão craque assim, a venda foi imediata.

    A outra coincidência entre os dois casos é, justamente, o aparente descritério da diretoria em relação a seus objetivos. No ano passado, dizia-se que o Inter focava a conquista do Brasileirão para coroar o centenário com um título esperado há longas três décadas. Na metade da competição, porém, o Colorado decidiu vender a taça, ao aceitar a negociação de Nilmar com a disputa em andamento. Falaram em reposição, mas até agora não se viu outro Nilmar no Beira-Rio. Agora, em 2010, o Inter já entregou de mão-beijada o primeiro turno do Gauchão, apostando todas as fichas na Libertadores da América, porém o foco novamente parece perdido, com a precoce venda de Danilo Silva - no momento, o melhor zagueiro do plantel. Reposição? Fernando Carvalho diz que o clube apostará no jovem Ronaldo, chegado do Atlético-PR.

    Tudo bem, tais apostas são válidas e, não tão raro, surpreendentemente positivas - como no próprio caso de Danilo Silva. Mas dá para encarar a Libertadores, com séria pretensão de título, segundo se propala, com apostas? Danilo, finalmente em sua posição (curiosamente, pelo lado esquerdo da zaga), estava agora afirmado, cobrindo até mesmo os erros de seus companheiros Sorondo e Bolívar (ambos com algumas sérias deficiências).

    Lesionado, Índio ainda pode demorar para recuperar a velha forma (e de qualquer maneira já entrou no ciclo descendente da carreira), enquanto Fabiano Eller é outro que não exibe a mesma efetividade de 2006. Danny foi emprestado, pois também vinha repetindo más atuações, sem confirmar os predicados que a ele se creditavam. Resulta que o Inter terá sérios problemas no miolo da zaga, a menos que a aposta Ronaldo tome conta do espaço e tenha boa companhia (talvez Índio). O Inter não vai mesmo contratar? Deixar-se-á iludir pelos resultados de campo dos seus titulares no Gauchão e na primeira fase da Libertadores? E quando pegar um time realmente forte pela frente, quem vai segurar a pressão?

    Ao vender Danilo Silva em seu momento de afirmação, o Inter repetiu o caso Nilmar, declarando publicamente que não está tão focado no título. Os euros continuam falando mais alto que as aspirações coloradas, para desengano da fiel torcida.


    por Lucas Backes

    Lucramos!

    fevereiro 24th, 2010

    Entra ano, sai ano, entra técnico, sai técnico, entra em beco, sai em beco, há uma Santa com seu nome, e nós continuamos tendo de reclamar da escalação colorada.

    Giuliano esteve absolutamente sobrecarregado na noite de ontem. (Noite histórica, sim, vencemos na estreia da Libertadores! Não creio, não importo e não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe o sentido dos tabus, mas os sites de notícia falam tanto nisso que começo a pensar que as pessoas se interessam, então: quebramos o tabu!). O jovem articulador colorado não teve espaço para jogar. Tampouco teve apoio, ao menos qualificado, dos alas. Me lembrou logo quando ele começou a jogar por aqui. Sem sequência de jogos e isolado no meio de campo, chegou a ser fortemente criticado pela torcida e pela mídia, que hoje exalta sua qualidade com um tom descarado de “eu já sabia”. Tenho medo que crucifiquem o jogador por suas atuações recentes não mais do que medianas e se esqueçam que, sozinho, não há muito o que ele possa fazer realmente. Não tenho o hábito, mas tenho de fazer coro com a mídia esportiva desta vez: Três zagueiros e um articulador, Fossati? Em casa? Sério?

    Não vou fazer uma resenha do jogo aqui, quase todos assistiram, os que não viram, já devem ter lido e escutado muito sobre como foi o jogo. Resumo: lucramos!

    Foi um jogo de técnica muito baixa, com um time colorado absolutamente desorganizado. Ganhamos da mesma forma que recentemente perdemos para o novo Hamburgo, com um gol achado. Um belo gol achado, aliás, pelo ala direito Nei. Ala esse de atuação pífia até aquele momento. Aliás, onde estava Nei no gol do Emelec? Havia um buraco no setor direito defensivo. E ele não melhorou muito depois, é bem verdade. Mas compensou, por assim dizer, com um belo gol.

    A entrada de Walter deu mais movimentação ao time, numa noite nada inspirada de Edu. Andrezinho foi decisivo mais uma vez, dando ótimo passe para o garoto, que, por sua vez, teve ótima movimentação e frieza na hora de deixar Alecsandro com o gol aberto no finalzinho do jogo. Acontecia ali uma das primeiras jogadas organizadas do Inter na partida. Eram 42 minutos do segundo tempo.

    De toda forma, somamos importantes três pontos na competição. É sempre bom lembrar que na edição 2010 da Libertadores, apenas o 1º colocado do grupo está garantido na primeira fase (dos oito grupos, classificam-se os primeiros colocados e os seis melhores segundo colocados). Um “Viva” a esta bela bagunça chamada Conmebol.


    por Lucas Backes

    Experiência basta?

    fevereiro 23rd, 2010

    O Inter de 2009 teve alguns poucos destaques positivos durante o segundo semestre. Destaco, aqui, dois: Giuliano e Marquinhos.

    Giuliano briga para manter a posição de titular do Inter. Não conseguiu ainda uma sequência de jogos em 2010, mesmo sendo o principal jogador colorado na temporada passada. Jogador que, quando foi para a seleção sub-20, deixou o clube em situação desesperadora. A equipe não conseguia  mais vencer durante sua ausência. Felizmente, parece-me que Fossati esteve testando outros jogadores agora em começo de temporada, e não simplesmente tirando o garoto do time.  Espero, realmente, vê-lo em campo hoje. Nada contra o Edu, pelo contrário, mas simplesmente tirar o Giuliano do time não teria explicação. Gostaria de ver os dois juntos inclusive, já que o Taison há algum tempo não apresenta um futebol que valha sua titularidade.

    Mas o que mais me surpreende é não ver Marquinhos na lista dos 25 jogadores inscritos na Libertadores. Logo ele, que mostrou um ótimo futebol temporada passada. Acredito, sim, que experiência seja muito importante para um time de futebol, ainda mais em uma Libertadores. Arriscaria dizer que é fundamental. Mas isso não pode significar abdicar de uma geração tão promissora de jogadores. Me perdoem os defensores do recém contratado, mas Kleber Pereira está entre os 25 e Marquinhos não?! Já me parece uma supervalorização da experiência.

    Sei que é arriscado fazer uma avaliação dessas, ainda mais em se tratando de um jogador que fez muitos gols pelo Santos e que deve entrar no decorrer dos jogos do Inter. Mas, enfim, tomara que ele me cale.


    por Lucas Backes

    O grupo colorado

    setembro 4th, 2009

    Giuliano, indo para a seleção sub-20, ficará afastado do Inter por, aproximadamente, um mês e meio. O jovem meia vive seu melhor momento no time desde que desembarcou em Porto Alegre. Será uma perda significativa para o nosso time, principalmente porque não sabemos como D’alessandro jogará daqui em diante. Não seria novidade se o gringo, após um grande jogo, desencadeasse uma sequência de atuações ruins. Já fez isso antes. Andrezinho se recupera de lesão e deve voltar em breve, mas apesar do esforço do mesmo, sabemos das limitações do jogador.

    E é aí que Edu pode entrar definitivamente no time titular. O jogador já mostrou que sabe fazer gols, o que é importante para o meia mais avançado. Já mostrou, em poucos lances, é verdade, mas sua condição física talvez não permitisse muito mais, que sabe driblar e gosta de partir pra cima dos adversários com a bola no pé. Para mim, isso é fundamental. É o que acho que faltou ao D’ale na maior parte das partidas que fez aqui até hoje. Não sei se ele cansa rápido ou se simplesmente não sabe como correr, mas falta a ele pegar a bola e andar com ela, não só dar um drible curto e passar. É claro que sua facilidade para driblar e suas ótimas assistências são muito importantes, mas, enfrentando uma marcação forte, é importante ter alguém que consiga conduzir a bola. Coisa que o Giuliano faz hoje e que Edu pode vir a fazer mais adiante.

    Se D’ale realmente evoluiu fisicamente - e, espero, mentalmente - nesse tempo afastado, poderia formar uma boa dupla no meio com Edu. Dessa forma voltaríamos ao 4-4-2. Sou bem a favor do teste com essa formação com esses jogadores. Mas por favor, Tite, se o fizer, deixe Kleber atacar! De nada adianta usarmos dois meias de criação e finalização se não tivermos apoio nas laterais. Creio, entretanto, que após as últimas atuações, Kleber não tornará a ser preso na defesa pelo treinador. E, dessa forma, sou adepto do 4-4-2.

    Mas (peço perdão por dizer o óbvio) já foi provado:  o 3-5-2 também pode funcionar. Só lamento não termos ala pela direita para que possamos exigir atenção da marcação nos dois lados. Danilo Silva é muito rápido, e um ala rápido pode ser bastante útil, de uma forma diferente de um ala técnico, como o Kleber. Mas falta a Danilo recursos para driblar e, principalmente, para cruzar. Talvez com muito treino nesse fundamento, poderá se tornar um ala aceitável. Ou até mesmo bom, quem sabe? Aí eu me perguntou: e Arílton? Com pouquíssimas chances no time, o ala praticamente não conseguiu mostrar nada. Tite afirmou, há algum tempo, que se tratava de um jogador muito ofensivo, e diziam, os que assistiam os treinos, que era um jogador técnico. Não seria o 3-5-2 o esquema adequado para dar mais algumas chances ao garoto? Ou será que ele realmente não está pronto? É preciso lembrar que até pouco tempo muitos achavam que Giuliano também não estava.

    Fato é que nosso grupo é bastante qualificado sim, claro que não tanto quanto a imprensa do centro do país dizia no começo do ano, mas é um bom grupo, quase completo. Carência mesmo só na direita. A zaga não anda tão bem, mas está ainda bem na média do campeonato brasileiro. Agora resta saber como essas peças serão encaixadas daqui pra diante.


    por Lucas Backes

    É o mesmo Fernandão?

    agosto 5th, 2009

    Estou profundamente decepcionado com essa história toda do Fernandão.

    Ouvi muita gente nas ruas reclamando que o ex camisa nove colorado foi para o Goiás, e que o inter perdeu a negociação para o time de Goiânia. Pois bem, quando Fernandão saiu daqui, ele era, sim, uma grande liderança de vestiário com profundo conhecimento de futebol. O que é, de fato, muito importante num time de futebol. Mas estava jogando um futebol deprimente, não auxiliava em nada na marcação, errava muitos passes e não corria. Algo que recentemente vivemos com D’alessandro. Claro que a importância deles no grupo é incomparável, Fernandão era uma influência muito positiva para os companheiros. Já o D’ale…

    A minha decepção entretanto, não é com a Direção do Inter por não ter apresentado proposta para o ídolo colorado, mas com ele mesmo por todas as infelizes e infantis declarações que deu. Respeito a todos que queriam a volta do jogador para o Inter. Eu, por exemplo, também não era contra. Mas também não acho que ele seria a solução dos nossos problemas, dado o que ele vinha jogando quando saiu.

    Palavras de Fernandão:
    “No sábado passado, recebi um e-mail do Fernando Carvalho. Na primeira vez que fui para o Inter, o mesmo Fernando veio pessoalmente a Goiás negociar comigo. Eu era um desconhecido. Agora, quatro anos depois, não sou mais um qualquer. Queria ter sido tratado com mais respeito.”

    Na minha opinião, isso é coisa de criança. Mais respeito? O Inter, assim como muitos outros clubes, faz muitos contatos por e-mail, e não tem nada de errado nisso. O errado é ficar achando que é uma pessoa melhor que as outras e merece tratamento diferenciado por causa de seu passado. O Inter não era obrigado a fazer proposta alguma por ele, ainda mais antes de ele rescindir o contrato ou em meio a competições, viagens e outras negociações.

    “(…) ele (Fernando Carvalho) pediu para eu enviar a minha proposta e eu me senti envergonhado com isso. No mesmo dia, recebi a ligação do Goiás, que me abriu as portas de maneira muito emocionante. O Inter deveria ter sido mais claro comigo. (…)”

    Fernandão havia dito em seu blog antes que o Inter teria fechado as portas para ele. Bom, ele mesmo acabou de desmentir. O Inter fez contato e aguardou uma proposta do jogador. Fernando Carvalho tinha ótimo relacionamento com o capitão do Mundial e é comum um contato informal nesse tipo de relação. A proposta não veio. Ao invés, veio uma reclamação pública infeliz.

    Realmente é difícil acreditar que é o mesmo Fernandão que conhecíamos. Aquele líder, aquela pessoa responsável. Confesso que não gosto desse novo Fernando.

    Essa é, claro, a minha opinião, e respeito quaisquer outras. Acho que o debate é princípio fundamental em qualquer lugar. Também não sei os detalhes da negociação, é possível que o Inter realmente tenha falhado em algum ponto. Mas não acredito em nada que justifique a reclamação pública - e até que se prove o contrário - injusta do jogador.


    por Lucas Backes

    Inter conquista a Suruga

    agosto 5th, 2009

    Na manhã desta quarta-feira, o Inter conquistou o título da Copa Suruga, ao vencer o Oita Trinita, do Japão, pelo placar de 2×1.

    Difícil fazer qualquer comentário a respeito do jogo em si, que só foi exibido na TVCOM. Utilizando a transmissão do rádio como base, parece que o Inter mostrou os mesmos problemas que vinha mostrando, mas dessa vez encontrou um adversário fraco o suficiente para conseguir se manter à frente.

    Uma notícia possivelmente boa é a de que Kléber apareceu no fundo constantemente e fez vários cruzamentos para a área. Além disso, ele e Alecsandro parecem estar começando a encontrar um certo entrosamento, o que pode ser importante para o Inter no restante da temporada. A principal qualidade de Kléber é, supostamente, seu cruzamento na área. Talvez a ausência de um atacante de área no passado tenha impedido uma maior produtividade por parte do lateral. Vamos torcer para que isso comece a mudar.


    por Carlos Alberto Petry Junior

    Adeus esquema losango-Nilmar.

    julho 28th, 2009

    Nilmar foi recentemente negociado com o Villareal da Espanha. Todos nós já sabíamos que isso iria acontecer. Até mesmo quando Fernando Carvalho nos disse que era impossível Nilmar se apresentar na segunda-feira passada na Espanha. E tinha razão, claro, Nilmar foi negociado só na terça.

    Mas a dúvida que fica não é sobre a necessidade de vendê-lo, pois isso já era certo. Ele queria ir e não teria muito mais tempo pra sair daqui. Além do mais, o Inter sempre precisa de dinheiro de vendas. A questão que fica realmente é se o Inter soube aproveitar o craque que esteve no Beira-Rio.

    Nilmar é muito rápido, ágil, com incrível controle de bola, ótimo domínio e driblava com muita velocidade. Talvez por ter todas essas qualidades, Tite tenha achado que deveria poderia deixá-lo jogar sozinho, completamente isolado, no ataque. Até deu certo naquele gol incrível contra o Corinthians, no começo do campeonato. E deu certo algumas outras vezes ainda. Eu fico imaginando como teria sido se ele tivesse a aproximação de outros jogadores para auxiliar na criação de jogadas de gol, para fazer tabelas. Tabelar com o Nilmar é fácil como com poucos outros jogadores do futebol mundial. É simples, ele sempre vai chegar na frente do zagueiro. Mas não, o Inter insistia em jogar com Taison aberto pelo outro lado e D’alessandro como único armador. Como o argentino era muito bem marcado, Nilmar não tinha com quem jogar. Ainda assim o Inter ganhou alguns jogos complicados, tamanha a qualidade do atacante que agora perdemos.

    Se as mudanças tivessem sido feitas mais cedo, usando dois armadores, tirando o D’ale que já estava mal, poderíamos tranquilamente estar liderando o Brasileirão hoje. Agora vamos ver se o Magrão, que vem jogando muito mal, dá lugar a um armador. Eu, hoje, jogaria com Sandro, Guiñazu, Giuliano e Andrezinho. Com essa formação, até mesmo o falido losango poderia ser mantido no meio. É claro que pode não dar certo, mas quanto antes tentarmos, antes saberemos se pode ou  não funcionar. Giuliano jogou de segundo volante na seleção sub-20, então a função dele pela direita no losango não exigiria nada que ele já não tenha feito (marcação e armação).

    Nota rápida: não sou adepto do esquema losango, mas já que Tite não vai fazer mudanças bruscas, essa acima é uma opção.

    Agora é esperar para ver se Tite vai manter o mesmo esquema com três volantes e um armador que vem dando errado há tanto tempo, ou se vai tentar algo novo. Eu sinceramente espero que ele esteja com 10% do cansaço que eu estou desse esquema que não funciona. Já seria mais do que suficiente para tentar algo diferente.

    Com Alecsandro no ataque, teremos referência dentro da área, para bola aérea inclusive. Vai faltar alguém para colocar a bola lá. Daí a necessidade de mais gente criação, não se pode esperar que Magrão ou Bolívar tenham grande aproveitamento em cruzamentos. Junto de Alecsandro, no ataque, surge a dúvida: agora que o craque do time se foi, usar Taison, que está mal, Bolaños improvisado, pois sempre foi volante ou meia, ou apostar em alguém das categorias de base? Acho que Taison bem orientado pode dar certo. Acho também que Bolaños até pode render por ali, se tiver dois outros armadores que cheguem junto à área adversária. Ou então  tentar mesmo uma aposta das categorias de base, mas ainda parece um pouco cedo para desbancar nossos jogadores do grupo principal nessa função.

    O certo é que o nosso camisa 9 se foi, e o esquema losango-Nilmar, não mais poderá ser utilizado. É mais uma oportunidade para Tite mostrar que tem condições de treinar um time do porte do Inter. Até agora ele desperdiçou as boas chances que teve. Com exceção da Sul-Americana de um ano atrás, claro.


    por Lucas Backes

    A “sacudida” de Fernando Carvalho

    julho 26th, 2009

    Na noite de ontem, o Inter teve mais um resultado negativo: perdeu para o Botafogo, no Rio, pelo placar de 3×2. Os mesmos problemas vistos nos últimos dois meses foram vistos mais uma vez durante a partida.

    Após o jogo, Fernando Carvalho, vice-presidente de futebol colorado, afirmou que uma “sacudida interna” se faz necessária.

    Acredito que ninguém discordaria de sua afirmação. A questão é: o que pode e deve ser feito para a equipe sair da atual crise?

    Comecemos falando a respeito do treinador colorado. Tite parece estar perdido. O Inter vem acumulando maus resultados, e o técnico continua insistindo no mesmo esquema de jogo, que já provou não funcionar mais. Como já dissemos aqui diversas vezes, sua solução com quatro jogadores em linha e três volantes na defesa funcionou por um tempo, mas seu prazo de validade já expirou há algumas semanas. O único armador e os atacantes ficam completamente isolados e precisam criar jogadas puramente na base da individualidade. Os adversários já entenderam isso e o Inter se tornou o clube mais previsível do Brasileirão. Os oponentes colorados conseguem ter o domínio da posse de bola e pressionam o Inter até conseguirem encontrar um espaço na defesa (algo que não é muito difícil, quando temos Kléber em um dos lados do campo apenas fingindo que marca alguém). É verdade que os zagueiros estão em má fase, mas também é verdade que zaga nenhuma aguenta a pressão constante que o Inter vem sofrendo jogo após jogo.

    Desta forma, torna-se muito difícil avaliar individualmente os jogadores do Inter. Mesmo assim, não podemos inocentar todos os atletas da equipe. Alguns merecem, sim, as críticas que vêm recebendo. Um exemplo é Magrão. A opinião da equipe do InterBlog sempre foi de que Magrão não deveria ser titular do time. Por outro lado, sempre entendemos que ele possui qualidades importantes, principalmente em jogos decisivos. Uma dessas qualidades seria a sua liderança. A questão é: até que ponto sua liderança é algo positivo? Ano passado, quando foi colocado no banco de reservas por Tite, ficou emburrado e não aceitou bem a ideia de ser reserva. Num time que se orgulha de ter um excelente elenco, qual é o valor de um jogador com uma atitude dessas?

    E esse parece ser um dos principais problemas da equipe colorada. Os “líderes” do grupo são jogadores experientes, com importantes títulos na carreira, que acreditam ter lugar na equipe simplesmente por suas conquistas do passado. Não sabendo o que ocorre dentro do vestiário, tudo o que podemos fazer é especular, mas olhando de fora, Magrão e Bolívar parecem ser os melhores exemplos disso. Índio, Guiñazu e Álvaro tem currículos tão respeitáveis quanto os jogadores previamente mencionados, mas não parecem ter o mesmo tipo de atitude deles. Álvaro já foi para o banco diversas vezes e lidou muito bem com isso, e é de se imaginar que Guiñazu faria o mesmo, dada a sua personalidade.

    Outro problema que a equipe colorada tem pode ser confundido com o anterior, mas não é exatamente o mesmo. Jogadores como Kléber e D’Alessandro provavelmente ainda não se estabeleceram como líderes, mas por serem conhecidos nacional e até mesmo internacionalmente, parecem ter escalação garantida na equipe colorada, a despeito de atuações ruins.

    O Inter campeão do mundo de 2006 passou pelos mesmos problemas nos anos subsequentes e precisou fazer mudanças. Os grandes líderes da equipe já não estavam mais atuando no mesmo nível e a equipe teve de ser renovada. Fernandão e Iarley foram negociados, enquanto Clemer foi mantido, mas como terceiro goleiro. Abel Braga foi para os Emirados Árabes.

    Será que o atual grupo do Inter precisa passar pelo mesmo tipo de reformulação?

    Talvez a “sacudida” mencionada por Fernando Carvalho envolva algumas mudanças no grupo colorado. Sou da opinião — e como sei que o Lucas também é, posso dizer que essa é a opinião do InterBlog — de que chegou o momento de o Inter negociar Magrão. Já achava isso no início do ano, e a temporada até aqui só vem reforçando a ideia. Talvez Índio também deva ser negociado (embora eu não o veja como um problema para o ambiente colorado), pois já tem 34 anos e não é o mesmo de anos anteriores. Também gostaria de ver a saída de Bolívar, mas não vejo como isso possa acontecer, pois ele acabou de assinar um contrato de três anos com o clube. Talvez uma saída de Índio o permita atuar como zagueiro, sua verdadeira posição.

    O trabalho de Tite não agrada nem um pouco, mas também temos que aceitar que o mercado não oferece grandes alternativas. Confesso que gosto do trabalho de Dorival Júnior, mas é difícil imaginar o treinador saindo do Vasco. Parreira sempre me pareceu muito mais diplomata do que treinador. Cuca mostrou contra o Inter, pela Copa do Brasil, que sabe organizar um time equilibrado, mas também é inegável que ele passa longe de ser um grande motivador e se abate facilmente.

    Ou seja, entende-se porque a direção colorada reluta em demitir Tite agora. Teve a chance de demiti-lo quando Muricy estava disponível, mas não quis fazê-lo. Agora, talvez seja “menos difícil” encontrar as soluções dentro do próprio vestiário. Mas não vejo como Tite possa recuperar o comando da equipe colorada, a não ser que aconteçam mudanças no grupo de jogadores.

    A situação não permite soluções fáceis, mas a realidade é que algo precisa ser feito. E logo.


    por Carlos Alberto Petry Junior

    A volta de D’Alessandro

    julho 17th, 2009

    Foi divulgada nas últimas horas a informação de que o STJD reconsiderou sua decisão e concedeu o efeito suspensivo ao jogador D’Alessandro. Isso significa que o meia argentino está liberado para jogar, pelo menos até a semana que vem, quando ocorrerá o julgamento do recurso de sua punição de 60 dias.

    Desta forma, D’Alessandro é provável presença no Gre-Nal de domingo. Boa notícia? Não necessariamente.

    Ninguém discute que D’Alessandro é um jogador com muito talento. Tem muita habilidade com a bola nos pés, uma boa visão de jogo, cruza bem para a área tanto com a perna esquerda quanto com a direita. Mas também não há como não ver que o argentino está em péssima fase, errando muitos passes, perdendo a bola com enorme frequência e tentando, sem sucesso, cavar um número excessivo de faltas.

    O seu reserva, Andrezinho, não tem o mesmo talento que D’Alessandro. Por outro lado, vem mostrando ao longo do ano que tem algumas vantagens em relação ao companheiro de equipe. Vejamos algumas:

    Velocidade: Embora esteja longe de ser um velocista, Andrezinho é, sem dúvida, mais rápido do que D’Alessandro. Talvez seja pelo fato de conseguir correr com a posse de bola, coisa que D’Alessandro não sabe ou se recusa a fazer.

    Marcação: Diferentemente do argentino, Andrezinho ajuda a equipe quando o time não tem a posse de bola. Isso ficou claro nas últimas partidas, principalmente no jogo contra o Fluminense. Em muitos lances, era possível ver Andrezinho dando combate no campo de defesa, coisa que D’Alessandro dificilmente faz.

    Chute de fora da área: Desde a saída de Alex, o Inter sente a falta de um jogador com capacidade de chutar bem de fora da área. Com as defesas cada vez mais preparadas para marcar a velocidade de Nilmar e Taison, um jogador com essa qualidade torna-se importantíssimo. D’Alessandro, até aqui, não mostrou ter um bom chute. Andrezinho não chuta com grande força, algo que o impede de ser perigoso em chutes de longa distância, mas tem excelente aproveitamento em conclusões de perto da entrada da área. Vimos isso no seu gol contra o Fluminense na última quarta-feira.

    Além das vantagens que a presença de Andrezinho traz, outro problema surge com a volta de D’Alessandro.

    Nas últimas partidas, o zagueiro Sorondo parece ter melhorado a defesa do Inter, pelo menos no que diz respeito à bola aérea. Merece continuar na equipe, principalmente se Tite optar pelo esquema com três zagueiros.

    O problema é que Sorondo é uruguaio, e cada equipe pode ter, em campo e no banco, no máximo três jogadores estrangeiros. Com D’Alessandro suspenso, a equipe colorada vinha utilizando Sorondo e Guiñazu, e colocando Bolaños no banco. Com a volta do meia argentino, um desses jogadores não poderá ser relacionado para o Gre-Nal. A tendência é que este jogador seja Bolaños, o que significa que o Inter perde uma opção de qualidade no banco de reservas.

    Se D’Alessandro jogar como na vitória colorada por 4×1 no Gre-Nal disputado no Beira-Rio pelo Brasileirão de 2008, sua presença em campo valerá a pena. Se ele voltar a fazer o que sabe e a demonstrar um pouco mais de vontade de estar em campo, talvez as demais preocupações se mostrem sem tanta importância assim. Mas, por enquanto, o efeito suspensivo conseguido hoje deve ser visto apenas como uma notícia. Se a notícia é boa ou não, só saberemos domingo.


    por Carlos Alberto Petry Junior