Venda de Danilo Silva repete Nilmar
fevereiro 26th, 2010por Douglas Backes
Este episódio da negociação de Danilo Silva remete, guardadas as devidas proporções, ao caso Nilmar, no ano passado. Isso por dois motivos: primeiro, porque os contratos de ambos os jogadores continham peculiar similaridade, qual seja uma cláusula prevendo que, em caso de proposta pelo atleta, o Inter ficaria obrigado a “cobri-la”, por assim dizer. Em outras palavras: diante de uma oferta, o clube teria de concordar com a venda ou abrir o cofre para adquirir mais um percentual dos direitos sobre o jogador. No caso Nilmar, o Inter chegou a exercer essa opção, gastando para manter seu craque, mas não resistiu a uma investida posterior do Villarreal FC. Agora, com Danilo, que não é tão craque assim, a venda foi imediata.
A outra coincidência entre os dois casos é, justamente, o aparente descritério da diretoria em relação a seus objetivos. No ano passado, dizia-se que o Inter focava a conquista do Brasileirão para coroar o centenário com um título esperado há longas três décadas. Na metade da competição, porém, o Colorado decidiu vender a taça, ao aceitar a negociação de Nilmar com a disputa em andamento. Falaram em reposição, mas até agora não se viu outro Nilmar no Beira-Rio. Agora, em 2010, o Inter já entregou de mão-beijada o primeiro turno do Gauchão, apostando todas as fichas na Libertadores da América, porém o foco novamente parece perdido, com a precoce venda de Danilo Silva - no momento, o melhor zagueiro do plantel. Reposição? Fernando Carvalho diz que o clube apostará no jovem Ronaldo, chegado do Atlético-PR.
Tudo bem, tais apostas são válidas e, não tão raro, surpreendentemente positivas - como no próprio caso de Danilo Silva. Mas dá para encarar a Libertadores, com séria pretensão de título, segundo se propala, com apostas? Danilo, finalmente em sua posição (curiosamente, pelo lado esquerdo da zaga), estava agora afirmado, cobrindo até mesmo os erros de seus companheiros Sorondo e Bolívar (ambos com algumas sérias deficiências).
Lesionado, Índio ainda pode demorar para recuperar a velha forma (e de qualquer maneira já entrou no ciclo descendente da carreira), enquanto Fabiano Eller é outro que não exibe a mesma efetividade de 2006. Danny foi emprestado, pois também vinha repetindo más atuações, sem confirmar os predicados que a ele se creditavam. Resulta que o Inter terá sérios problemas no miolo da zaga, a menos que a aposta Ronaldo tome conta do espaço e tenha boa companhia (talvez Índio). O Inter não vai mesmo contratar? Deixar-se-á iludir pelos resultados de campo dos seus titulares no Gauchão e na primeira fase da Libertadores? E quando pegar um time realmente forte pela frente, quem vai segurar a pressão?
Ao vender Danilo Silva em seu momento de afirmação, o Inter repetiu o caso Nilmar, declarando publicamente que não está tão focado no título. Os euros continuam falando mais alto que as aspirações coloradas, para desengano da fiel torcida.
por Lucas Backes