Não resta dúvida que Lauro, goleiro titular do Inter, vem fazendo uma grande temporada. Questionado por muitos no início do ano, conquistou a aprovação da torcida com grandes atuações em partidas muito importantes. Hoje já não se discute mais se temos um goleiro à altura do resto da equipe.
Após o treinamento fechado de ontem, a imprensa recebeu a informação de que apenas os goleiros Michel Alves e Clemer participaram do treinamento de cobranças de pênaltis. Lauro ficou de fora. Sua justificativa:
— Pedi para não treinar pênaltis. Eu não me sinto à vontade fazendo isso na véspera do jogo. E poderia atrapalhar os nossos batedores. Como eu conheço eles, poderia defender as cobranças e tirar a confiança deles. E também poderia tirar a minha confiança.
Ou seja, nosso goleiro titular não treinou para algo que pode ser decisivo na conquista ou não do título. Logo ele, que tem o péssimo costume de ficar se movimentando de um lado para o outro em cima da linha antes das cobranças, tornando-se, assim, ainda mais suscetível a paradinhas e cobranças no contrapé.
Quando alega que, por conhecer seus companheiros de equipe, poderia defender suas cobranças e tirar sua confiança, até pode ter certa razão. Mas existia uma outra solução para esse problema, uma que não exigiria que ele ficasse de fora de um treinamento tão importante.
Se não queria tirar a confiança dos titulares com suas defesas, poderia treinar com os reservas. Apenas 20 jogadores foram relacionados para a partida. Ou seja, ainda restava um bom número de profissionais (sem contar juniores) para treinar com o goleiro Lauro.
Quando diz que, se não defendesse cobranças, poderia perder confiança, Lauro não percebe que essa seria uma última oportunidade para analisar seu aproveitamento e corrigir o que pudesse. Poderia se preparar para cobranças com paradinha, que, se permitidas pelo árbitro, podem ser muito utilizadas numa possível decisão por pênaltis.
Falando sobre os cobradores corintianos, Lauro afirmou o seguinte:
— No Corinthians, tem dois jogadores que batem sempre: o Ronaldo e o Chicão, que batem nos dois cantos. Não sei os outros. Pênalti é ali, na hora, na intuição, no momento para definir.
Com essa declaração, ele mostra que nem sequer procurou se informar a respeito dos principais cobradores. Sabe o que todos sabem: Ronaldo e Chicão não cobram sempre no mesmo lado.
Ora, o Inter tem uma comissão técnica com vários profissionais qualificados. Se Lauro quisesse, um deles poderia fazer um trabalho estatístico analisando as tendências dos principais cobradores corintianos. Mesmo não sendo garantia de sucesso, informações como essas podem, sem dúvida, ajudar.
Lauro está certo quando diz que pênalti é definido na hora. Mas não é, como ele parece insinuar, loteria. Pergunte a Taffarel, Dida ou até mesmo André, goleiro colorado no fim dos anos 90, se suas muitas defesas de pênalti foram por sorte. Certamente dirão que não. Algumas defesas podem ocorrer por acaso, mas para se tornar um grande “pegador de pênaltis”, mais do que isso é necessário.
De qualquer modo, como foi informado no post anterior, o Inter já fez o seu último treino antes da grande decisão. Agora não há mais como mudar. Não precisamos que Lauro se torne tão proficiente nas defesas de pênaltis quanto os goleiros previamente mencionados. Basta que, amanhã, sua estratégia dê certo. Por mais que não concorde com a mesma, sem dúvida torço para que funcione.
Mas a verdade é que torço ainda mais para que o Colorado vença por 3 gols ou mais de diferença e nos poupe da tortura que é uma decisão por pênaltis.